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Caso “Cão Orelha”: MP não vê agressão e pede arquivamento de investigação em Florianópolis

Perícias indicam que morte do animal foi causada por infecção grave, e não por maus-tratos; adolescentes acusados foram inocentados. ________________________________________

Caso “Cão Orelha”: MP não vê agressão e pede arquivamento de investigação em Florianópolis
Caso “Cão Orelha”: MP não vê agressão e pede arquivamento de investigação em Florianópolis (Foto: Reprodução)

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) solicitou oficialmente o arquivamento do processo que investigava a morte do "Cão Orelha", caso que gerou comoção nacional e revolta nas redes sociais. Após uma investigação minuciosa, os promotores concluíram que não houve agressão por parte dos quatro adolescentes que haviam sido apontados como autores de maus-tratos na Praia Brava.

Provas Digitais e Conflito de Horários

A manifestação, que conta com cerca de 170 páginas, baseou-se na análise rigorosa de quase dois mil arquivos, incluindo fotos, vídeos de câmeras de segurança e dados de celulares. O MP identificou um "descompasso temporal" nos relatórios iniciais: havia uma diferença de 30 minutos entre os registros dos sistemas de monitoramento.

Com a correção dos horários, os investigadores constataram que:

• Os adolescentes acusados sequer estavam juntos no local no momento do suposto ataque.

• Imagens mostraram o cão se movimentando normalmente após o horário em que a agressão teria ocorrido, o que descarta a tese de violência física recente.

Causa da Morte: Doença Crônica

Ao contrário do que foi amplamente divulgado em redes sociais, os laudos veterinários apontaram que o "Cão Orelha" sofria de osteomielite, uma infecção óssea crônica e severa. Segundo o MP, foi o agravamento natural desta doença que debilitou a saúde do animal, levando à necessidade de eutanásia, e não ferimentos causados por terceiros.

O Impacto das "Fake News"

O documento assinado por três Promotorias de Justiça destaca que não foram encontradas testemunhas oculares das agressões. Segundo o Ministério Público, boa parte do clamor público foi alimentada por relatos sem comprovação e boatos digitais que ganharam força nas redes sociais.

"Muitos depoimentos basearam-se exclusivamente em comentários de internet, sem qualquer embasamento factual", afirmou o MP na peça enviada à Vara da Infância e da Juventude da Capital.

Apesar do pedido de arquivamento fundamentado em provas técnicas, a decisão tem gerado intensos debates e novas ondas de protestos digitais por parte de grupos de proteção animal que acompanham o caso desde o início.


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