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Cabo Verde: cidade homônima em MG comemora classificação histórica da seleção africana na Copa

Município de pouco mais de 11 mil habitantes reuniu moradores na praça para acompanhar a partida que garantiu a vaga inédita de Cabo Verde na próxima fase do Mundial

Cabo Verde: cidade homônima em MG comemora classificação histórica da seleção africana na Copa
Cabo Verde: cidade homônima em MG comemora classificação histórica da seleção africana na Copa (Foto: Reprodução)

O país de Cabo Verde escreveu um capítulo completamente inédito na história da Copa do Mundo. Com um suado empate em 0 a 0 diante da Arábia Saudita, a surpreendente seleção africana garantiu sua classificação para as oitavas de final logo em sua estreia no torneio, deixando para trás e eliminando a tradicional seleção do Uruguai, o primeiro campeão mundial da história.


No entanto, o rugido da comemoração dessa conquista cruzou o Oceano Atlântico e ecoou forte a milhares de quilômetros dali: mais precisamente na cidade de Cabo Verde, localizada no Sul de Minas Gerais.


Festa na Praça e União de Bandeiras

O pacato município mineiro, que conta com pouco mais de 11 mil habitantes e compartilha orgulhosamente o nome com o país africano, transformou-se em uma verdadeira arena de torcida. Os moradores se reuniram na praça central, lotaram bares, ocuparam as sacadas das casas e se aglomeraram até mesmo dentro dos carros para empurrar a seleção homônima.


Durante os 90 minutos de muita tensão, as bandeiras do município sul-mineiro e do país africano dividiram o mesmo espaço, colorindo a festa. Para a população local, a campanha heroica na Copa fortaleceu ainda mais uma ligação simbólica e afetiva que já existia entre os dois lugares.


A Trajetória Heroica

A classificação veio após uma verdadeira saga na fase de grupos. Considerada a zebra do grupo, Cabo Verde surpreendeu ao segurar empates impressionantes diante de Espanha e Uruguai — duas seleções que carregam títulos mundiais no currículo.


Com isso, a equipe africana chegou à última rodada dependendo apenas de um novo empate contra os sauditas, combinado a uma vitória da Espanha sobre os uruguaios. A combinação matemática perfeita aconteceu, carimbando o passaporte dos cabo-verdianos para as oitavas de final.


Uma Ligação que Vem do Passado: A Rota dos Escravizados

Mais do que uma simples coincidência de nomes, a festa em Minas Gerais resgata raízes profundas. Pesquisas históricas recentes apontam para uma ligação direta, e dolorosa, da cidade com o continente africano.


Durante os séculos XVIII e XIX, o arquipélago de Cabo Verde, na África, funcionava como um grande entreposto comercial e ponto de parada obrigatória para navios negreiros. Ali, muitos negros escravizados trazidos de regiões como Congo e Angola eram registrados e "abastecidos" antes de cruzarem o Atlântico rumo ao Brasil.


Por conta dessa última parada em solo africano, muitas dessas pessoas acabavam recebendo o sobrenome de "Cabo Verde" em seus registros oficiais. Ao chegarem na região mineradora do Sul de Minas, esses escravizados e libertos fincaram raízes e ajudaram a fundar o povoado ao redor da capela de Nossa Senhora do Rosário (uma irmandade tradicionalmente negra), batizando e marcando para sempre a história do município mineiro com o nome que carregavam no peito.


Hoje, séculos depois, a história se reencontra no grito de gol e na classificação histórica para o futebol mundial.

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