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Abraço Adiado por 67 Anos: Três Irmãs Separadas na Infância se Reencontram e Dvinolância

Após quase sete décadas de buscas, desencontros e a trágica perda da mãe na zona rural, Aparecida, Isabel e Rita finalmente se uniram em um reencontro

Abraço Adiado por 67 Anos: Três Irmãs Separadas na Infância se Reencontram e Dvinolância
Foto: EPTV/Reprodução

O relógio marcava 40 minutos de atraso para o ônibus que trazia Rita, mas para quem já havia esperado quase sete décadas, o tempo era o de menos. Na última sexta-feira (10), a rodoviária de Divinolândia, no interior de São Paulo, foi o cenário do fim de uma separação que durou 67 anos. Lágrimas, abraços apertados e sorrisos selaram o reencontro das irmãs Maria Aparecida, Isabel e Rita, separadas ainda na infância após uma tragédia familiar.


Uma Tragédia no Casarão e o Destino das Crianças

A história da família começou na zona rural de Caconde (SP), onde o casal Antônio Vicente da Silva e Maria Cândida da Silva criava seus quatro filhos: Aparecida (nascida em 1944), Rita (1949), Isabel (1953) e o caçula, Benedito (1955).


No entanto, o destino da família mudou drasticamente após um acidente fatal.


"A minha mãe foi passear, a cobra deu um bote e pegou ela. Ela morreu porque a cobra picou ela. Eu tinha 8 anos e lembro disso aí", relembra, emocionada, a aposentada Maria Aparecida da Silva Pereira.


Sem condições de criar os filhos sozinhos, uma prática comum na época acabou separando os irmãos: eles foram entregues a famílias diferentes.


Aparecida: Foi entregue aos cuidados de um médico.


Isabel: Criada por uma família em Caconde, mudando-se mais tarde para Vargem Grande do Sul (SP).


Benedito: Adotado por padrinhos, foi levado para Minas Gerais. Infelizmente, o único irmão homem faleceu há menos de dois meses, antes de ver a família reunida.


Rita: Adotada em Caconde, foi levada para Barretos e, na juventude, mudou-se para Campinas (SP).


A Longa Busca pela Peça que Faltava

Aparecida e Isabel conseguiram se reencontrar há pouco mais de 20 anos com a ajuda de parentes. Desde então, a grande missão da vida delas era localizar Rita.


Rita conta que nunca esqueceu as irmãs, mas as tentativas de busca esbarravam na falta de informações. "Meu marido era iugoslavo, ele era cigano. Eu falava assim: 'Gente, tenho tanta saudade da minha família'. Ele falava: 'Aonde está?'. Eu dizia: 'Não acho'", recorda.


A reviravolta aconteceu graças à persistência de familiares. Mesmo lidando com um sobrenome comum, o aposentado Reginaldo de Souza conseguiu rastrear o paradeiro da irmã perdida. "Descobri endereço, telefone, local e a cidade onde ela mora", explicou.


O Reencontro e a Promessa para o Futuro

Após o desembarque tenso e a contagem dos minutos na rodoviária, as primeiras horas do reencontro aconteceram na casa de parentes em Divinolândia. A sensação de vazio deu lugar à paz de saber que a busca, enfim, havia terminado.


"A gente rezava, mas não se enxergava, né? Só na oração", desabafou a aposentada Isabel da Silva de Melo.


A distância que por quase 70 anos tentou afastar as três irmãs agora deu lugar a planos e à promessa de que o tempo perdido será recuperado. O ponto final dessa separação virou o início de uma nova rotina.


"De agora em diante, todo feriado estou batendo para cá, ou então elas vão para lá", garantiu Rita, com o sorriso de quem finalmente voltou para casa.

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