Morre Guto Graça Mello, produtor de Rita Lee, Roberto Carlos, Bethânia entre outros
. Ele produziu mais de 500 discos, incluindo trabalhos de artistas como Rita Lee, Roberto Carlos e Maria Bethânia, além de ter produzido o primeiro álbum de Xuxa Meneghel.
O produtor e diretor musical Guto Graça Mello morreu nesta terça-feira (5), aos 78 anos, no Rio de Janeiro. Um dos nomes mais influentes da música na televisão brasileira, ele estava internado havia mais de um mês no Hospital Barra D’Or, na Barra da Tijuca, após sofrer uma queda. Segundo a família, a causa da morte foi uma parada cardiorrespiratória.
Guto deixa a viúva, a atriz Sylvia Massari, além de duas filhas e dois enteados. Durante o período de internação, Sylvia compartilhou mensagens nas redes sociais demonstrando esperança na recuperação do marido. “Na alegria e na tristeza… te amo!”, escreveu em uma das publicações.
Trajetória na música e na televisão
Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Guto Graça Mello se consolidou como um dos principais responsáveis por transformar trilhas sonoras de novelas em fenômenos de público e mercado. Ele produziu mais de 500 discos, incluindo trabalhos de artistas como Rita Lee, Roberto Carlos e Maria Bethânia, além de ter produzido o primeiro álbum de Xuxa Meneghel.
Nascido em 29 de abril de 1948, no Rio de Janeiro, ele era filho dos atores Stella Graça Mello e Octávio Graça Mello. Cresceu em meio ao ambiente artístico e chegou a iniciar o curso de arquitetura na Universidade Federal do Rio de Janeiro, mas abandonou a graduação para se dedicar à música.
Ainda nos anos 1960, começou a compor e, em parceria com Mariozinho Rocha, teve músicas gravadas por nomes como Elis Regina e Nara Leão. Antes de se firmar na televisão, chegou a viver no exterior e integrou o grupo Vox Populi, com apresentações no México.
Consolidação na Globo
De volta ao Brasil, iniciou sua trajetória na TV Globo em 1972, como produtor musical do programa “Viva Marília”, comandado por Marília Pêra. No ano seguinte, assinou sua primeira trilha de novela, Cavalo de Aço, ao lado de Nelson Motta.
Sobre esse início, ele relembrou anos depois: “Eu odeio essa trilha com todas as forças até hoje, porque ela era 100% equivocada. Eu não tinha noção de como era fazer novela”.
A partir daí, construiu uma carreira marcante na dramaturgia, sendo responsável por trilhas de sucessos como Gabriela, Pecado Capital, Saramandaia e Estúpido Cupido.
Em “Gabriela”, convidou Dorival Caymmi para a abertura e apostou na canção “Alegre Menina”, musicada por Djavan a partir de poema de Jorge Amado.
Episódios marcantes
Um dos episódios mais emblemáticos da carreira foi a produção da trilha de “Pecado Capital”, em 1975. Convocado poucos dias antes da estreia, Guto montou praticamente todo o repertório em três dias e encomendou a música de abertura a Paulinho da Viola, que compôs “Dinheiro na mão é vendaval” em poucas horas.
Atuação na indústria fonográfica
Paralelamente à televisão, teve papel fundamental na Som Livre, onde chegou ao cargo de gerente geral. Lá, ajudou a estruturar o mercado de trilhas sonoras e impulsionar carreiras, aproveitando a visibilidade das novelas. Entre os artistas que passaram pela gravadora estão Cazuza e Lulu Santos.
Também assinou trilhas de mais de 30 filmes e foi o autor do tema de abertura do Fantástico.
Perfeccionista, Guto costumava destacar o desafio de equilibrar qualidade artística e demandas comerciais. “O meu barato era fazer o casting e usar a estrutura da Globo para explodir artistas”, afirmou em entrevista.
Ele deixou a Globo e a Som Livre em 1989, mas continuou ativo na música, produzindo discos, trilhas e jingles. Nos últimos anos, acompanhava novelas como espectador atento, especialmente às trilhas — área que ajudou a transformar.
“Eu tenho dado muita sorte na vida”, disse, em depoimento ao Memória Globo.
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